sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

O amor é essa capacidade de ver o outro de forma diferente


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O amor só pode ser eterno à medida em que vivermos a conquista do outro todos os dias. E isso só vai acontecer a partir do momento em que o amor de Deus incendiar a nossa vida.

O amor é essa capacidade de ver o outro de forma diferente. No meio de tanta gente, alguém se torna especial para você e você se aproxima. Amar é começar a descobrir que, numa multidão, alguém não é multidão. O amor é essa capacidade de retirar alguém do lugar comum, para um lugar dedicado, especial. Alguém descobriu uma sacralidade em você.

Quando alguém se aproximou, foi porque você gerou um encanto. O outro se sentiu melhor quando se aproximou de você. A beleza da totalidade que você tem faz ele melhor. A primeira coisa que o amor esponsal e conjugal cura são as orfandades que a vida nos colocou.

Namoro tem de começar assim: “Tira as sandálias dos pés, eu não sou um território qualquer”. O primeiro encanto tem de ser essa consciência de que se Deus lhe deu esta pessoa, Ele é dono antes de você.

O amor quando não é amor, vira competição, disputa; por isso ele é iniciado e mantido em Deus; será sempre um amor de promoção do outro.

O casamento é um encantamento pelo o outro, o qual vai ganhando sentido quando o vou conhecendo. O amor para ser verdadeiro tem de passar pelas fases da descoberta. Você tem que saber quem é o outro.

A grande lição para quem se casa é esta: todos os dias você precisa se aproximar do outro e descobrir o motivo para continuar o respeito e a alegria de estar diante dele.

Casamento em que o outro é opressão, não é amor. O amor leva para o alto! Se vocês não se promovem mais, significa que estão esquecendo a vocação primeira do matrimônio: o de acender o fogo do amor, da dignidade e da felicidade nele.

O sexo errado na vida de um casal é a porta por onde o diabo pode entrar para fazer do parceiro um objeto. Cuidado com o que vocês trazem para a vida sexual de vocês, para não fazer o outro se sentir um objeto, uma prostituta (o).

Não levem para vida sexual instrumentais diabólicos. Que coisa ridícula a mulher se vestir de 'coelhinha' ou o marido de 'batman' ou sei lá mais o quê. E ainda vem com a desculpa de dizer que isso é para 'incrementar' a relação. Se o amor que você tem por ela não for o melhor incremento, esqueça!

Sejam criativos sim, mas sem perder a dignidade. A maior criatividade da vida sexual e para que vocês se sintam amados é carinho, afeto, dedicação!

Cuidado! A roupa de coelhinha, professorinha etc., pode fazer seu marido esquecer que você é sagrada. Cuidado com essa mentalidade mundana que está transformando as mulheres e homens em objeto. O incremento da vida sexual é carinho, afeto, dedicação. Isso nos faz sentir amados! Se não tem amor, depois do prazer você joga o outro fora. O amor do outro tem que promover na sua dignidade.

O único objetivo que o diabo tem é apagar nossa dignidade. Se você faz parceria com ele, o seu casamento está em risco.

Este corpo que você está abraçando é território santo, é vida que precisa continuar iluminada e digna.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

A encarnação do Verbo de Deus


Estamos nos últimos dias de preparação para a grande festa do Cristianismo, o Santo Natal, quando comemoramos a Encarnação do Verbo de Deus, Jesus Cristo. Neste ponto central da História, concentram-se todas as profecias anteriores e as expectativas do futuro, justificadas e explicadas pela vinda do Messias. Ele é o fundamento da esperança para o mundo, em meio às injustiças e crueldades que marcam a nossa História.
Mas, por que Jesus veio à terra? Antes de tudo, para nos revelar Deus-Pai, identificar-se como seu divino Filho e demonstrar a atuação do Espírito Santo na Trindade, na Igreja e em cada um de nós. Veio, também, esclarecer o grande mistério do ser humano, que só podemos compreender melhor quando confrontado com o homem novo - Cristo, pois o velho homem - Adão, desfigurou a história e a face da humanidade. Em Cristo, o ser humano está destinado à glória, resplandecendo em si o brilho do próprio Deus. Pela fé no Verbo Encarnado, Rei do Universo e Senhor da História, vislumbramos o termo para o qual se encaminha a realidade deste mundo.
Jesus também veio nos ensinar como ser irmãos. O Natal é a festa da fraternidade. Porém, é fácil afirmar isto e ficar apenas nas palavras. Como ser irmãos de verdade, sem acepção de gênero, raça, cultura ou religião? Somos irmãos, de fato, sobretudo daqueles que celebram conosco o mistério da Encarnação do Verbo de Deus. Isto porque fomos adotados pelo Pai, em seu Filho, nosso Salvador, que se fez homem para nos restaurar, assumindo a dramaticidade da vida humana: a exclusão social, sem lugar para nascer; a perseguição e o exílio, ainda na infância; décadas de trabalho silencioso e oculto; três anos de missão evangelizadora. Finalmente, no desfecho de sua vida, pelo Mistério da cruz, pagou com seu preciosíssimo sangue o preço definitivo desta adoção.
Jesus veio à terra, ”veio para o que era seu, mas os seus não o receberam”. Nem todos reconheceram Jesus e o aceitaram. Isto ocorre até os nossos dias. “Mas a todos aqueles que o receberam, aos que crêem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus” (Jo 1,11-12). São João Batista, o maior de todos os profetas nascidos de mulher (cf. Lc 7,28), acolheu o Senhor, antes mesmo que ambos nascessem, mostrando que sua vida estaria, definitivamente, marcada pela presença do Messias Salvador: “Apenas Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança estremeceu no seu seio; e Isabel ficou cheia do Espírito Santo” (Lc 1,41).
Quem acorreu ao Presépio para adorar Cristo, verdadeiro Deus, revelado em natureza humana? Os primeiros foram os anjos, a cantar louvores: “Glória a Deus no mais alto dos céus e paz na terra aos homens por Ele amados” (Lc 2,14). Depois, os homens simples do campo – os pastores: “Foram com grande pressa e acharam Maria e José, e o menino deitado na manjedoura. Vendo-o, contaram o que se lhes havia dito a respeito deste Menino” (Lc 2,16-17).
Os grandes Sábios do Oriente fizeram, pelo menos, 2 ou 3 anos de viagem para chegarem até o Rei, nascido em Belém. Deixaram-se conduzir por uma estrela luminosa, que os convidara a caminhar, e partiram em busca da verdadeira Estrela da Manhã, que é o próprio Cristo Jesus: “Eu sou a raiz e o descendente de Davi, a estrela radiosa da manhã” (Ap 22,16).
Natal é uma festa de luz. E as luzes despontam pelas ruas enfeitadas. Há luz também dentro das casas, no pinheirinho e no presépio iluminados. A luz é algo de divinal, que ultrapassa as explicações simplesmente humanas. Luz é alegria, festa, oposição a toda treva, tristeza, mentira e embuste. A verdadeira Luz veio até nós e o próprio Cristo se define como tal: “Eu sou a luz do mundo. Quem me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida” (Jo 8,12). Essa luz há que brilhar dentro de nós e ao redor de nós. Sejamos iluminados.
A adoração dos Sábios a Jesus nos introduz, ainda, numa outra reflexão: com o Advento do Mestre dos mestres, a sabedoria tomou outro rumo, surgiram referências completamente novas para as nossas vidas. Baste citar, por exemplo, a moral e a ética. Cristo veio ensinar uma nova percepção da realidade e purificar normas de comportamento. Conferiu critérios bíblicos aos dissolutos costumes pagãos e irrigou com a graça a aridez da lei judaica, que mostrava o erro, mas não dava a força para superá-lo. Em Cristo, temos o auxílio divino para podermos praticar e viver o que Ele anunciou.
Esta nova referência que Jesus veio trazer nós chamamos de Boa Nova. O Natal é festa da Boa Nova, que anuncia o surgimento de uma ordem inédita para as relações humanas, na qual prevalece a justiça divina, transformando e purificando a justiça humana. O Natal nos leva a reconhecer que a autêntica promoção do ser humano não está na potência das armas, nem no poder econômico, como tinham os romanos, no tempo de Jesus, e tantos outros impérios que se seguiram na história mundial. Quem, até então, havia proclamado que o maior no seu reino, seria aquele que se tornasse pequenino como uma criança? Somente Jesus o fez, tornando-se, ele mesmo, um Deus-Menino (cf. Mt 18,4). Por isso, façamos do Natal a festa da simplicidade. Assim, estaremos em sintonia com o verdadeiro Senhor desta celebração.
Quando se abre o drama do Presépio, Jesus, não encontrando abrigo, vai nascer sobre a pobreza da palha, junto ao cocho e próximo, até, do esterco. Ali já se prenuncia o caminho do Calvário mas, ao mesmo tempo, começam a jorrar as fontes da Salvação. A novidade da graça flui para a Igreja, e para cada um de nós, a partir da cruz: “Cristo Jesus, sendo exteriormente reconhecido como homem, humilhou-se ainda mais, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz. Por isso Deus o exaltou soberanamente e lhe outorgou o nome que está acima de todo nome” (Fl 2,8-9). “Não existe salvação em nenhum outro, pois debaixo do céu não existe outro nome dado aos homens, pelo qual possamos ser salvos” (At 4,12).

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Esperar o tempo de Deus


As notícias chegam para nós de maneira muito rápida; o que eu falo agora, está sendo ouvido no Japão, nos Estados Unidos, aqui no Brasil, na sua casa... É tudo muito rápido. E por causa disso, muitas vezes, queremos que as coisas de Deus sejam da mesma forma, rápidas. Peço a Deus uma resposta e já quero agora. Às vezes, as pessoas que moram na roça sabem esperar mais, mas os habitantes da 'cidade grande' são agitados, correm o dia inteiro.
Por causa da velocidade com que as coisas acontecem, vivemos um grande conflito com Deus. É aí que entra o tentador, dizendo, "Deus não te ouve". E o que acontece conosco? Entramos em um grande descrédito de Deus, pois queremos a resposta de imediato. Com isso, pode acontecer de um dia qualquer você ver em algum poste um cartaz que prometa resolver seus problemas de imediato, oferecendo, por exemplo, serviços de cartomante, espiritismo e muitas outras coisas. O inimigo fecha o cerco e você acaba se tornando dependente destas coisas porque quer respostas imediatas.
Veja no salmo (24,3); "Nenhum daqueles que esperam em vós será confundido". Talvez você esteja confuso, achando que Deus não o escuta. Saiba, Deus não se confunde. Se Ele se confundisse, não seria Deus. "No Senhor eu espero sempre". Sabemos em quem colocamos a nossa confiança! Eu não vou desanimar.
“O que espera em Deus possuirá a Terra” (Sl 36,9). Como ser humano, o que você está esperando em Deus? O seu filho? Seu marido ou esposa? Um emprego? A cura de alguma doença? Deus lhe diz: "Os que esperam no Senhor terão emprego, serão perdoados, curados. Há pessoas que acham que, porque pecaram, não serão perdoados, mas não é verdade, o nosso Deus é um Deus de perdão, de misericórdia.
Hoje, a depressão se tornou o mal do século, porque as pessoas não esperam mais no Senhor. Elas esperam apenas por um tempo, mas como não conseguem o que querem de imediato, acabam entrando numa tristeza profunda e "caindo" em depressão. Eu fico admirado com o livro do Apocalipse que diz assim: "Apesar de tudo o Senhor reina, apesar de tudo, Ele já venceu, apesar de tudo a vitória de Jesus é certa".
Jesus está dizendo: “Tudo está sobre os meus cuidados, eu acalmo a tempestade” (Mc 4,35-41). Tem gente gritando que não aguenta mais; é assim quando perdemos a esperança em Deus. Não é fácil, mas é algo que precisamos treinar: "Deus está cuidando de nós, eu sei em quem coloquei a minha confiança". Saiba aguardar n'Aquele que tem o domínio e o poder sobre todas as coisas.
Davi estava sendo perseguido por Saul, então ele disse: "Para os montes levanto os olhos, de onde me virá socorro?" Respirando fundo Davi disse "o meu socorro virá do Senhor, criador do céu e da terra" (Sl 90). O Senhor não está dormindo na situação em que você vive, Ele é seu guarda e está sempre ao seu lado!
O livro dos Salmos diz: “...a sua indignação dura apenas um momento, enquanto sua benevolência é para toda a vida. Pela tarde, vem o pranto, mas, de manhã, volta à alegria” (Sl 29).
Talvez, hoje, você viva o pranto, o sofrimento. Talvez nada tenha dado certo em sua vida, mas Deus lhe diz: "Tenha esperança!". Aqueles que esperam em Deus passam pelo sofrimento, pela dor. Eles passam pelo pranto à tarde, mas esperam a alegria ao amanhecer. Não é brincadeira. Quantas pessoas que esperaram em Deus e hoje colhem a vitória? A cada dia o Senhor manifesta o seu amor por nós. O sol vem; Ele nunca deixará de vir!
Saiba esperar naquele que é o seu Senhor. Aguarde, Ele está sentado no trono!
Espera no Senhor e tenha coragem!
Oração: "Ainda que seja difícil, eu espero no Senhor, e os meus olhos estão fixos n'Ele. É em Ti que eu espero. Eu não posso permitir, Jesus, que o desespero tome conta de mim. O Senhor sabe que quando as coisas acontecem, eu quero resolver de uma vez para sempre, mais eu espero no Senhor, pois sei que está tomando conta.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

O Tempo do Advento



A palavra "advento" quer dizer "que está para vir". O tempo do Advento é para toda a Igreja, momento de forte mergulho na liturgia e na mística cristã. É tempo de espera e esperança, de estarmos atentos e vigilantes, preparando-nos alegremente para a vinda do Senhor, como uma noiva que se enfeita, se prepara para a chegada de seu noivo, seu amado.
O Advento começa às vésperas do Domingo mais próximo do dia 30 de Novembro e vai até as primeiras vésperas do Natal de Jesus contando quatro domingos.
Esse Tempo possui duas características: As duas últimas semanas, dos dias 17 a 24 de dezembro, visam em especial, a preparação para a celebração do Natal, a primeira vinda de Jesus entre nós. Nas duas primeiras semanas, a nossa expectativa se volta para a segunda vinda definitiva e gloriosa de Jesus Cristo, Salvador e Senhor da história, no final dos tempos. Por isto, o Tempo do Advento é um tempo de piedosa e alegre expectativa.
Origem
Há relatos de que o Advento começou a ser vivido entre os séculos IV e VII em vários lugares do mundo, como preparação para a festa do Natal. No final do século IV na Gália (atual França) e na Espanha tinha caráter ascético com jejum abstinência e duração de 6 semanas como na Quaresma (quaresma de S. Martinho). Este caráter ascético para a preparação do Natal se devia à preparação dos catecúmenos para o batismo na festa da Epifania. Somente no final do século VII, em Roma, é acrescentado o aspecto escatológico do Advento, recordando a segunda vinda do Senhor e passou a ser celebrado durante 5 domingos.
Só após a reforma litúrgica é que o Advento passou a ser celebrado nos seus dois aspectos: a vinda definitiva do Senhor e a preparação para o Natal, mantendo a tradição das 4 semanas. A Igreja entendeu que não podia celebrar a liturgia, sem levar em consideração a sua essencial dimensão escatológica.
Teologia do Advento
O Advento recorda a dimensão histórica da salvação, evidencia a dimensão escatológica do mistério cristão e nos insere no caráter missionário da vinda de Cristo. Ao serem aprofundados os textos litúrgicos desse tempo, constata-se na história da humanidade o mistério da vinda do Senhor. Jesus que de fato se encarna e se torna presença salvífica na história, confirmando a promessa e a aliança feita ao povo de Israel. Deus que, ao se fazer carne, plenifica o tempo (Gl 4,4) e torna próximo o Reino (Mc 1,15) . O Advento recorda também o Deus da revelação, Aquele que é, que era e que vem (Ap 1, 4-8), que está sempre realizando a salvação mas cuja consumação se cumprirá no "dia do Senhor", no final dos tempos. O caráter missionário do Advento se manifesta na Igreja pelo anúncio do Reino e a sua acolhida pelo coração do homem até a manifestação gloriosa de Cristo. As figuras de João Batista e Maria são exemplos concretos da missionariedade de cada cristão, quer preparando o caminho do Senhor, quer levando o Cristo ao irmão para o santificar. Não se pode esquecer que toda a humanidade e a criação vivem em clima de advento, de ansiosa espera da manifestação cada vez mais visível do Reino de Deus.
A celebração do Advento é, portanto, um meio precioso e indispensável para nos ensinar sobre o mistério da salvação e assim termos a Jesus como referencia e fundamento, dispondo-nos a "perder" a vida em favor do anúncio e instalação do Reino.
Espiritualidade do advento
A liturgia do Advento nos impulsiona a reviver alguns dos valores essenciais cristãos, como a alegria expectante e vigilante, a esperança, a pobreza, a conversão.
Deus é fiel a suas promessas: o Salvador virá; daí a alegre expectativa, que deve nesse tempo, não só ser lembrada, mas vivida, pois aquilo que se espera acontecerá com certeza. Portanto, não se está diante de algo irreal, fictício, passado, mas diante de uma realidade concreta e atual. A esperança da Igreja é a esperança de Israel já realizada em Cristo mas que só se consumará definitivamente na parusia do Senhor. Por isso, o brado da Igreja característico nesse tempo é "Marana tha"! Vem Senhor Jesus!
O tempo do Advento é tempo de esperança porque Cristo é a nossa esperança (I Tm 1, 1); esperança na renovação de todas as coisas, na libertação das nossas misérias, pecados, fraquezas, na vida eterna, esperança que nos forma na paciência diante das dificuldades e tribulações da vida, diante das perseguições, etc.
O Advento também é tempo propício à conversão. Sem um retorno de todo o ser a Cristo não há como viver a alegria e a esperança na expectativa da Sua vinda. É necessário que "preparemos o caminho do Senhor" nas nossas próprias vidas, "lutando até o sangue" contra o pecado, através de uma maior disposição para a oração e mergulho na Palavra.
No Advento, precisamos nos questionar e aprofundar a vivência da pobreza. Não pobreza econômica, mas principalmente aquela que leva a confiar, se abandonar e depender inteiramente de Deus (e não dos bens terrenos), que tem n'Ele a única riqueza, a única esperança e que conduz à verdadeira humildade, mansidão e posse do Reino.
As Figuras do Advento:
ISAIAS
É o profeta que, durante os tempos difíceis do exílio do povo eleito, levava a consolação e a esperança. Na segunda parte do seu livro, dos capítulos 40 - 55 (Livro da Consolação), anuncia a libertação, fala de um novo e glorioso êxodo e da criação de uma nova Jerusalém, reanimando assim, os exilados.
As principais passagens deste livro são proclamadas durante o tempo do Advento num anúncio perene de esperança para os homens de todos os tempos.
JOÃO BATISTA
É o último dos profetas e segundo o próprio Jesus, "mais que um profeta", "o maior entre os que nasceram de mulher", o mensageiro que veio diante d'Ele a fim de lhe preparar o caminho, anunciando a sua vinda (conf. Lc 7, 26 - 28), pregando aos povos a conversão, pelo conhecimento da salvação e perdão dos pecados (Lc 1, 76s).
A figura de João Batista ao ser o precursor do Senhor e aponta-lO como presença já estabelecida no meio do povo, encarna todo o espírito do Advento; por isso ele ocupa um grande espaço na liturgia desse tempo, em especial no segundo e no terceiro domingo.
João Batista é o modelo dos que são consagrados a Deus e que, no mundo de hoje, são chamados a também ser profetas e profecias do reino, vozes no deserto e caminho que sinaliza para o Senhor, permitindo, na própria vida, o crescimento de Jesus e a diminuição de si mesmo, levando, por sua vez os homens a despertar do torpor do pecado.
MARIA
Não há melhor maneira de se viver o Advento que unindo-se a Maria como mãe, grávida de Jesus, esperando o seu nascimento. Assim como Deus precisou do sim de Maria, hoje, Ele também precisa do nosso sim para poder nascer e se manifestar no mundo; assim como Maria se "preparou" para o nascimento de Jesus, a começar pele renúncia e mudança de seus planos pessoais para sua vida inteira, nós precisamos nos preparar para vivenciar o Seu nascimento em nós mesmos e no mundo, também numa disposição de "Faça-se em mim segundo a sua Palavra" (Lc 1, 38), permitindo uma conversão do nosso modo de pensar, da nossa mentalidade, do nosso modo de viver, agir etc.
Em Maria encontramos se realizando, a expectativa messiânica de todo o Antigo Testamento.
JOSÉ
Nos textos bíblicos do Advento, se destaca José, esposo de Maria, o homem justo e humilde que aceita a missão de ser o pai adotivo de Jesus. Ao ser da descendência de Davi e pai legal de Jesus, José tem um lugar especial na encarnação, permitindo que se cumpra em Jesus o título messiânico de "Filho de Davi".
José é justo por causa de sua fé, modelo de fé dos que querem entrar em diálogo e comunhão com Deus.
A Celebração do Advento
O Advento deve ser celebrado com sobriedade e com discreta alegria. Não se canta o Glória, para que na festa do Natal, nos unamos aos anjos e entoemos este hino como algo novo, dando glória a Deus pela salvação que realiza no meio de nós. Pelo mesmo motivo, o diretório litúrgico da CNBB orienta que flores e instrumentos sejam usados com moderação, para que não seja antecipada a plena alegria do Natal de Jesus.
As vestes litúrgicas (casula, estola etc) são de cor roxa, bem como o pano que recobre o ambão, como sinal de conversão em preparação para a festa do Natal com exceção do terceiro domingo do Advento, Domingo da Alegria ou Domingo Gaudete, cuja cor tradicionalmente usada é a rósea, em substituição ao roxo, para revelar a alegria da vinda do libertador que está bem próxima e se refere a segunda leitura que diz: Alegrai-vos sempre no Senhor. Repito, alegrai-vos, pois o Senhor está perto.(Fl 4, 4).
Vários símbolos do Advento nos ajudam a mergulhar no mistério da encarnação e a vivenciar melhor este tempo. Entre eles há a coroa ou grinalda do Advento. Ela é feita de galhos sempre verdes entrelaçados, formando um círculo, no qual são colocadas 4 grandes velas representando as 4 semanas do Advento. A coroa pode ser pendurada no prebistério, colocada no canto do altar ou em qualquer outro lugar visível. A cada domingo uma vela é acesa; no 1° domingo uma, no segundo duas e assim por diante até serem acesas as 4 velas no 4° domingo. A luz nascente indica a proximidade do Natal, quando Cristo salvador e luz do mundo brilhará para toda a humanidade, e representa também, nossa fé e nossa alegria pelo Deus que vem. O círculo sem começo e sem fim simboliza a eternidade; os ramos sempre verdes são sinais de esperança e da vida nova que Cristo trará e que não passa. A fita vermelha que enfeita a coroa representa o amor de Deus que nos envolve e a manifestação do nosso amor que espera ansioso o nascimento do Filho de Deus. A cor roxa das velas nos convida a purificar nossos corações em preparação para acolher o Cristo que vem. A vela de cor rosa, nos chama a alegria, pois o Senhor está próximo. Os detalhes dourados prefiguram a glória do Reino que virá.
Podemos também, em nossas casas, com as nossas famílias, mergulhar no espírito do Advento celebrando-o com a ajuda da coroa do Advento que pode ser colocada ao lado da mesa de refeição.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Fé é a certeza daquilo que ainda não vemos


“Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não vêem.”
“A fé é a substância das coisas esperadas, a prova das coisas não vistas.”
“A fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem.”

Como está escrito em Hb 11:1 a fé é o fundamento, a base, a substância, o elemento essencial do cristão. Ela produz em nós certeza, convicção, conhecimento de quem Deus é . É pela fé que compreendemos a Palavra de Deus e conhecemos a mente de Deus, bem como Sua natureza abençoadora 

Hb11:3 “Pela fé, entendemos que foi o universo formado pela palavra de Deus, de maneira que o visível veio a existir das coisas que não aparecem.”

É preciso desenvolver nossa fé , já que é por ela que adquirimos conhecimento de Deus, e na medida em que conhecemos Deus pela fé, essa fé também é fortalecida, é alimentada. Como está escrito é pela fé que podemos entender as coisas de Deus .

Pela fé somos justificados e recebemos o poder, a graça, de sermos filhos de Deus 
Muitos de nós quando começamos uma caminhada com Deus pedimos provas. Isso é pedido de incrédulo, que ainda não conhece bem, que ainda duvida . O invisível de Deus só se torna visível em nossas vidas quando Deus encontra fé . Assim, a fé trata de coisas invisíveis, por isso, não é possível crer depois da evidência, quem precisa ver abdica do privilégio de crer, do privilégio de conhecer pela fé, de crer e experimentar .

A prova que precisávamos é: o Verbo se fez carne e habitou entre nós . A prova é que Deus deu Seu Filho pelos nossos pecados . A prova é que Cristo abriu mão de toda sua glória para habitar entre nós e ai mesmo se humilhou, e foi nosso modelo de obediência até a morte .
A prova é que Ele ressuscitou ao terceiro dia e andou ressurreto entre nós por 40 dias .

Mas o que seria Incredulidade? Incredulidade é a forma de crer que se opõe a Verdadeira fé, é a certeza baseada em evidências, é aquilo que é fundamentado no visível, ou no que é aparente. Na verdade, incredulidade na Bíblia é crer em outra palavra que não a de Deus  Veja os fariseus, eles eram religiosos e criam em algo, mas não creram na Palavra do Deus vivo que desceu do céu!

A Bíblia nos exorta a viver pela fé e isso significa viver, ou partilhar a mesma natureza de Deus, e na medida em que O conhecemos passamos a conhecer nosso chamado, nossa vocação. Passamos a conhecer a natureza de Deus e aprendemos a manifestá-la em nossas vidas por meio do amor, que é a genuína essência de Deus.

Veja Paulo no Areópago (At 17:16-31), lá ele encontra homens buscando sabedoria como era próprio dos filósofos gregos, e vê um lugar tomado pela idolatria, ou seja, o povo depositava sua fé em doutrinas de homens e em deuses desconhecidos. Mas Paulo, inspirado pelo amor de Deus, direciona a fé deles para o único Deus vivo e verdadeiro. Paulo, por fé, num ato de ousadia, e com sabedoria, usa elementos que eles conheciam como o altar ao Deus desconhecido e fala para que agora eles possam crer (Fé vem pelo ouvir da Palavra de Deus, Rm 10:17).

Agora temos uma boa nova para o final: o próprio Cristo é o Autor e Consumador de nossa fé
(Hb 12:2-13). Busque-o do seu jeito, abra seu coração e se tiver falta de fé, peça fé ao Senhor! (Lc 17:3-6). 

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Coragem: Não tenhais medo



O Senhor nos chama a confiarmos somente Nele

Que bela exortação, que belo consolo, que injeção de ânimo, o evangelho: “Não tenhais medo, pequenino rebanho, pois foi do agrado do Pai dar a vós o Reino”. Como nas nossas origens, vamos nos tornando cada vez mais um pequenino rebanho; o Senhor nos vai purificando, vai fazendo sua Igreja, a gosto ou a contragosto, perceber que ela está no mundo, mas é diferente do mundo: seu modo de pensar, de viver, de avaliar, de agir não pode ser aquele do mundo.

Efetivamente, vamos nos sentindo cada vez menos compreendidos e menos à vontade na bem-pensante sociedade atual. Somos, enfim, um pequenino rebanho; e a nós o Senhor diz: “Não tenhais medo, pequenino rebanho!” O Pai nos quis dar o Reino – e o Reino é o próprio Jesus, que nos envolve de vida e nos ilumina com seu santo Evangelho! Não tenhais medo!

E, então, Jesus nos exorta: “Vendei vossos bens e dai esmola. Fazei bolsas que não se estraguem, um tesouro no céu que não se acabe; ali o ladrão não chega nem a traça corrói. Porque, onde está o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração”. Que palavras belíssimas: O Senhor nos convida à coragem de “vender” a vida, “vender” nossos bens – isto é, relativizar tudo – para fazer de Deus o nosso único absoluto!

Assista também: "Preocupai-vos com o Reino dos céus", com padre José Augusto

Na verdade, Jesus nos convida a esperar de verdade a vida eterna, esperar de verdade que um dia estaremos todos em Deus por meio de Jesus Cristo! O que Jesus hoje os pede é a coragem de viver no mundo, mas sem ser do mundo, sem meter o nariz nesse mundo de modo a perder Deus de vista! Afinal, é tão fácil absolutizar o relativo!

Ah, irmão! Tenhamos – você e eu – a coragem de colocar realmente o tesouro de nossa vida ali, onde a traça não corrói! A vida é preciosa demais para perdê-la com bobagens! Mas, somente veremos isto se estivermos vigilantes, se na união profunda com Jesus pela oração, pela escuta de sua santa Palavra, pela fiel participação nos sacramentos, mantivermos a saudade das coisas do céu.

Aliás, este é uma das carências da Igreja atual: ter quem nos fale do céu, que nos faça sentir desejo do céu, saudade do céu! Uma Igreja que não saiba desejar, sonhar e se encantar com o céu que o Senhor nos prepara, perderá de vista o mais profundo de sua missão, errará o foco e tomará por absoluto o que é apenas relativo – mesmo que seja coisa importante. Coisas importantes com que se preocupar, a Igreja as tem; coisa essencial, somente Jesus, nosso céu, o céu que o Pai nos deu! E – como recordou Bento XVI no Brasil: “esta saudade do céu, esta sede de Deus não é uma alienação, uma fuga da realidade, mas um ver a realidade com os olhos de Deus e, assim, ver realmente, com realismo!”

Por tudo isto, não temais, pequenino rebanho: o Pai vos espera; dar-vos-á o seu Reino. Vale a pena sofrer e suportar contradições nesta vida; vale a pena caminhar com o Senhor, como parte do seu rebanho, que é a Mãe católica! Como dizia São Bernardo de Claraval: “nossa vida neste mundo é semente de eternidade!”