terça-feira, 24 de abril de 2012

Vocação






Falamos muito de vocação. Quando dizemos que alguém tem vocação, afinal o que queremos dizer? A palavra vocação vem do verbo no latim "vocare" (chama?). Assim vocação significa chamado. É, pois, um chamado de Deus. Se há alguém que chama, deve haver outro que escuta que responde. 

 A vida de todo ser humano é um dom de Deus. "Somos obra de Deus, criados em Cristo Jesus" (Ef 2,10). Existimos, vivemos, pensamos, amamos, nos alegramos, sofremos, nos relacionamos, conquistamos nossa liberdade diante do mundo que nos cerca e diante de nós mesmos.


Não somos uma existência lançada ao absurdo. Somos criaturas de Deus.

Não existe homem que não seja convidado ou chamado por Deus a viver na liberdade, que possa conviver, servir a Deus através do relacionamento fraternal com os outros.

Você é uma vocação. Você é um chamado.

Encontramos na Bíblia muitos chamados feitos por Deus: Abraão, Moisés, os profetas... Em todas as escolhas, encontramos:
  • Deus chama dlretamente, pela mediação de fatos e acontecimentos, ou pelas pessoas.
  • Deus toma a Iniciativa de chamar.
  • Escolhe livremente e permite total liberdade de resposta.
  • Deus chama em vista de uma missão de serviço ao povo.
Vocação é o encontro de duas liberdades:
  • a de Deus que chama
  • a do Homem que responde
Podemos fazer uma distinção entre os chamados: vocação à existência, vocação humana, vocação cristã e vocação específica, uma sobrepondo-se à outra.

Vocação à existência -À vida

Foi o primeiro momento forte em que Deus manifestou todo o seu amor a cada um de nós. Deus nos amou e nos quis participantes de seu projeto de criação como coordenadores responsáveis por tudo o que existe. Fomos criados à imagem e semelhança de Deus. A vida é a grande vocação. Deus chama para a vida, e Jesus afirma que veio para que todos a tenham em abundância. (Jo 10,10)

Vocação humana - Ser gente, ser pessoa

Foi nos dada a condição da "liberdade dos filhos de Deus", inteligência e vontade. Estabelecemos uma comunhão com o Criador e, nessa atitude dialogai, somos pessoas. A pessoa aprende a conviver, a dialogar, enfim, a se relacionar. Todos têm direitos e deveres recíprocos.
Infelizmente, a obra-prima do Criador anda muito desprezada: enquanto uns têm condições e oportunidades, outros vivem na miséria, sem condições básicas para ressaltar a dignidade com que foram constituídos. No mundo da exclusão acontece a "desumanização"'e pode-se perder a condição de pessoa humana.

Vocação cristã - Vocação de filho, de batizado

Todo batizado recebeu a graça de fazer parte do povo eleito por Deus, de sua Igreja. Através da vocação cristã, somos chamados à santidade, vocação à perfeição, recebendo a mesma fé pela justiça de Deus. Fomos, portanto, eleitos e chamados pessoalmente por Cristo para ser, como cristãos, testemunhas e seguidores do Mestre Jesus. Chamados â fé pelo batismo, a pessoa humana foi qualificada de outra forma. Assim todos fazem parte do "reino de sacerdotes, profetas e reis". (1 Pd 2,9)

Toda pessoa batizada tornou-se um seguidor de Cristo, participante de uma comunidade de fé que pode ser chamada para participar da obra de Deus, como membro de sua Igreja, seguindo caminhos diferentes:

Vocação laical (no matrimônio /no celibato / solteiro - apóstolo)

l Assim todo cristão solteiro ou casado, batizado em Cristo, tornando-' se membro da sua Igreja, é convocado a ser apóstolo, anunciador do l Reino de Deus, exercendo funções temporais. O leigo vive na l secularidade e exerce sua missão insubstituível nos ofícios e trabalhos l deste mundo. O Concilio Vaticano II sublinhou que a vocação e a missão l do leigo "contribuem para a santificação do mundo, como fermento na \ massa'. (LG31)

Vocação ao ministério ordenado (diácono, padre e bispo)

É uma vocação de carisma particular, é graça, mas passa pela mediação da Igreja particular, pois as vocações são destinadas à Igreja. Acontece num acompanhamento sistemático, amadurecendo as motivações reais da opção. O ministro ordenado preside e coordena os serviços da comunidade. Por intermédio dos sacramentos, celebra a presença de Deus no meio do seu povo. O presbítero é enviado a pastorear e animar a comunidade. Ele é o bom pastor que guia, alimenta, defende e conhece as ovelhas. "Isto exige humanidade, caráter íntegro e maduro, virtudes morais sólidas e personalidade madura". (OT 11)

Vocação à vida consagrada (ser irmão religioso ou irmã religiosa / vida ativa ou contemplativa)

O religioso é chamado a testemunhar Cristo de uma maneira radical, vivendo uma consagração total nos votos de pobreza, castidade e obediência. Com a pobreza, vivem mais livres dos bens temporais, tornando-se disponíveis para Deus, para a Igreja e para os irmãos. Com a castidade, vivem o amor sem exclusividade, sendo sinal do mundo l futuro que há de vir. Com a obediência, imitam a Cristo obediente e fiel à vontade do Pai.

Textos bíblicos
Mateus 25,14-30; João 14, 5 - 7
Leia estes textos com calma, um de cada vez, procurando trazê-los para a sua vida.

Precisamos distinguir bem vocação de profissão, pois não são exatamente a mesma coisa. Veja o quadro abaixo e observe a distinção entre uma e outra:
Profissão
Vocação
1 . aptidão ou escolha pessoal para exercer um trabalho
1. chamado de Deus para uma missão, que se origina na pessoa como reação-aspiração do ser
2. preocupação principal: o "ter", o sustento da vida
2. preocupação exclusiva: "o ser" , o amor e o serviço
3. pode ser trocada
3. é para sempre
4. é exercida em determinadas horas
4. é vivida 24 horas por dia
5. tem remuneração
5. não tem remuneração ou salário
6. tem aposentadoria
6. não tem aposentadoria
7. quando não é exercida, falta o necessário para viver
7. vive da providência divina
8. na profissão eu faço
8. ha vocação eu vivo

A profissão dignifica a pessoa quando é exercida com amor, espírito de serviço e responsabilidade. A vocação vivida na fidelidade e na alegria confere ao exercício da profissão uma beleza particular, é o caminho de santidade.


Fonte: Vocacional Divino Oleiro

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Discernimento Vocacional


SETE  PASSOS PARA O DISCERNIMENTO VOCACIONAL

* Um dos grandes desafios que deves enfrentar na vida é encontrar o teu lugar na sociedade e na Igreja.
* Para ti, que procuras a vocação, apresentarei sete passos que te podem ajudar a discernir o projeto que Deus tem para ti.
* Embora me refira diretamente às vocações consagradas (na vida religiosa e no sacerdócio), estes passos podem aplicar-se ao discernimento de qualquer vocação, estado de vida ou profissão.

1. Oração

"Senhor, que queres que eu faça?"  (At. 22,10) A vocação não é algo que possas inventar, mas algo que encontras. Não é um plano que fizeste para a tua vida, mas o projeto de amizade que Jesus te propõe e te convida a realizar.
Não é uma decisão que tomas, mas um chamamento a que tens de responder.

Se queres descobrir a vocação, dialoga com Jesus. Só mediante a oração poderás
descobrir o que Deus quer de ti. Na oração, o Espírito Santo afinará o teu ouvido para que possas escutar. No diálogo de amizade com Jesus poderás ouvir a sua voz que te chama: “vem e segue-me”(Lc 18,22); ou: “volta a tua casa e conta tudo o que Deus fez por ti” (Lc 8,39).

2. Percepção
“Mas, no meu coração, a sua palavra era um fogo devorador, encerrado nos meus
ossos. Esforçava-me por contê-lo, mas não podia”.(Jr 20, 9)

Para descobrir o que Deus quer de ti tens que escutar, olhar e experimentar. Para isso
precisas de fazer silêncio interior e exterior; o ruído impede-te de perceber. Está atento ao que interiormente te move: os teus desejos, os teus medos, os teus pensamentos, as tuas fantasias, as tuas inquietações, os teus projetos.

Escuta tanto os que aprovam a tua inquietação como os que a criticam. Mas escuta
sobretudo o teu coração: que é que desejas?

Aprende a olhar os homens que te rodeiam: que te diz Jesus através da pobreza, da
ignorância, da dor, das desesperanças, da necessidade de Deus que eles sentem?
Vê a tua história: porque caminho te leva Deus? Quais os acontecimentos mais
importantes da tua vida? Como é que Deus esteve presente ou ausente neles? Que experimentas ao pensar na possibilidade de consagrar a tua vida a Deus? Tens apenas uma vida. A que queres dedicá-la?

Procura discernir se a tua inquietação e a atração que sentes são sinais duma verdadeira vocação consagrada ou manifestações de que Deus quer que intensifiques a tua vida cristã como leigo. Ao dar este passo poderás dizer: “Talvez Deus me esteja a chamar…” “Sinto a inquietação de consagrar a minha vida a Deus”.

3. Informação

“Vede que terra é essa e que povo habita nela, se é forte ou fraco, pouco ou muito
numeroso. Que tal a terra em que habita, boa ou má? Que tais as cidades em que habita,abertas ou fortificadas? Que tal o terreno, fértil ou estéril? Se há nele árvores de fruto ounão. Era então o tempo das primeiras uvas”. (Num 13, 18-20)

Os caminhos para realizar a vocação consagrada são múltiplos. Não basta quereres
entregar a vida a Deus e desejar entregar-te ao serviço de teus irmãos. É preciso saber onde é que Deus quer que tu O sirvas.

 Para descobrir o teu lugar na Igreja é conveniente que conheças as diversas vocações. Investiga qual é a espiritualidade que vivem os sacerdotes diocesanos ou as diferentes congregações religiosas; e vê qual delas te atrai. 

Vê como vivem: não é o mesmo uma congregação contemplativa ou de vida apostólica. Informa-te sobre qual é a sua missão e quais os meios para a realizar: escolas, hospitais, direção espiritual, promoção vocacional,missões, pregação de retiros, meios de comunicação social… Conhece quem são os principais destinatários do seu apostolado: jovens, pobres, doentes, crianças, seminários,idosos…

Mesmo que ordinariamente, quando se experimenta a inquietação vocacional, se sinta
atração por uma vocação específica, vale a pena dedicares algumas horas para te informares mais a fundo sobre essa vocação e sobre as outras. E se no fim te decidires por aquela pela qual a princípio te inclinavas, o tempo gasto a informar-te não terá sido em vão.

Ao dar este passo poderás dizer: “atrai-me a espiritualidade, o estilo de vida e o
apostolado dessa congregação”. “Possivelmente Deus está a chamar-me para ingressar no noviciado ou no seminário”.

4. Reflexão

“Quem dentre vós, querendo construir uma torre, não se senta primeiro para calcular a
despesa e ver se tem com que a concluir? Não suceda que, depois de assentar os
alicerces, não a podendo acabar, todos os que virem comecem a troçar dele, dizendo:
‘Este homem começou a construir e não pôde acabar”( Lc 14, 28-30). A vocação é uma empresa demasiado grande, e é para toda a vida! Por isso não te podes lançar sem antes teres reflectido seriamente sobre ti e sobre a vida que pretendes abraçar.

Descobre quais as tuas capacidades e limitações. Pensa se poderás viver as
exigências que a vocação implica – contando sempre com a graça de Deus – Quais os sinais concretos em que te baseias para pensar que Deus te chama? Quais as razões a favor ou contra que tens para empreender esse caminho?

Deus pede que te comprometas responsavelmente no discernimento da sua vontade.
Quer que utilizes a tua diligência para procurar a vocação. Com a luz do Espírito Santo
poderás descobrir o que Deus quer de ti.

Não penses que vais chegar a ter a certeza absoluta do que Deus quer de ti: algo
assim como ter um contrato assinado por Ele, em que te revela a sua vontade. O que
encontrarás serão sinais que indicam qual poderá ser o projeto de amizade que Deus tem para ti.

Ao decifrar esses sinais poderás ter a certeza moral de ser chamado. Eu tenho a certeza absoluta de que não pode haver um círculo quadrado, e tenho a certeza moral de que a cadeira em que estou sentado não vai partir-se. A certeza moral é a que precisas para atuar. Ao dar este passo poderás dizer: “Creio que Jesus me chama”. “Creio que, com a ajuda do Espírito Santo, poderei dar-lhe resposta”.

5. Decisão

Seguir-te-ei para onde quer que vás”. (Lc 9, 57). Tendo descoberto o que Deus quer de ti, tens que te decidir a segui-lo.É difícil tomar tal decisão. Sentirás medo. As tuas limitações parecer-te-ão montanhas intransponíveis.“E eu respondi: “Ah! Senhor Deus, eu não sei falar, pois ainda sou um jovem” (Jr 1, 6). Contudo, apesar das tuas limitações, responde como Isaías: “Aqui estou, Senhor, envia-me”. (Is 6,8).

Dizer o “sim” que compromete toda a tua vida é uma graça. Pede ao Espírito Santo que te dê essa capacidade de resposta. Não enfrentar a decisão equivale a desperdiçar a tua vida.
Para iniciar o caminho da vocação não esperes ter a certeza absoluta de que Deus te
chama; basta teres a certeza moral. A decisão é um passo na fé, um acto de confiança em teu amigo Jesus.

Ao decidires seguir radicalmente Jesus é normal que tenhas dúvidas se serás capaz de enfrentar as exigências e chegar ao fim. Mas do que não podes duvidar é daquilo que tu queres. Ao dar este passo poderás dizer: “Quero consagrar a minha vida a Deus no serviço dos meus irmãos”. “Quero entrar nesta congregação religiosa”. Quero ser sacerdote”.

6. Ação

“Um pouco mais adiante, viu outros dois irmãos: Tiago, filho de Zebedeu, e seu irmão
João, os quais, com seu pai, Zebedeu, consertavam as redes, dentro do barco.    

Chamou-os,e eles, deixando no mesmo instante o barco e o pai, seguiram-no” (Mt 4, 21-22).Uma vez tomada a decisão, avança! Não deixes que o medo te vença.Utiliza todos os meios ao teu alcance para realizar o que decidiste. Não cedas à tentação de diferir a tua entrada numa casa de formação: “Eu vou seguir-te, Senhor, mas primeiro permite que me despeça da minha família” (Lc 9, 61).

Com a tua decisão, comprometeste todos os momentos seguintes; daqui em diante
procura ser fiel. A única maneira de realizar o projecto de Deus é a fidelidade de cada dia. Vive cada momento em coerência com o que decidiste; dirige cada passo para a meta.
E quando vierem as dificuldades? Perseverança!

 O caminho será difícil, mais do que parece. Prepara-te para a luta; terás que enfrentar problemas e superar obstáculos. Jesus diz-te:“Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz, dia após dia, e siga-me”(Lc 9, 23).

O caminho é árduo, mas Maria acompanha-te e o Espírito Santo dá-te forças para o
poderes percorrer. Além disso, não se trata de carregar hoje a cruz de toda a vida, mas apenas a de hoje e assim diariamente. Ao dar este passo, poderás dizer como Pedro: “Aqui estamos nós que deixamos tudo e te seguimos” (Mc 10, 28).

7. Direcção Espiritual

“Que hei de fazer, Senhor? O Senhor respondeu-me: Ergue-te, vai a Damasco, e lá te dirão o que se determinou que fizesses” (At 22,10).

Na realidade a Direção espiritual não é mais um passo no processo de discernimento
vocacional; é antes um recurso que podes aproveitar em cada um dos passos anteriores.O diretor espiritual ajudar-te-á a rezar e a perceber os sinais da vontade de Deus; indicar te onde obter a informação e ajudar-te-á a refletir.

 No momento da decisão afastar-se-á de ti para que tu, diante de Jesus, respondas livremente ao seu chamamento. Ajudar-te-á a preparares-te convenientemente para entrar numa casa de formação. A sua oração e sacrifício por ti alcançar-te-ão do Espírito Santo a luz para descobrir a tua vocação e a força para a seguir.

Fonte: Assessoria Vocacional