terça-feira, 31 de julho de 2012

Homens choram aos Pés da Cruz


Nesse final de semana que passou, tivemos no Centro de Evangelização Angelino Rosa – Cear – o VI Congresso Evangelístico de Homens Católicos, com o tema: Adão, onde estás? Cerca de 400 homens experimentaram a graça abundante de Deus em suas vidas. Hoje, certamente, estão fazendo a diferença em suas famílias, pois temos a convicção que saíram transformados. Percebíamos desde o jeito de ser, ao modo de falar, a mudança concreta em suas vidas.

Deus durante três dias procurou esses homens, e como nunca antes, eles disseram: Eis-me aqui, a cada dia. Lembremos a passagem em que Deus pergunta: Adão, onde estás? Adão estava como medo e com vergonha de Deus, pois se percebeu nu, sem nenhuma segurança, encontrou-se em sua fraqueza humana e, ao invés de dizer: Eis-me aqui, escondeu-se. Podemos perceber que, aquele que diriamente encontrava-se com DEUS, sentia-se um com Ele. Agora, sente-se distante, envergonhado, não mais íntimo. A relação se transformou. O homem que se colocava a disposição de Deus passa a se esconder d’Ele.

Desde então, somos peregrinos desse Mundão, que continuamente nos oferece aversão a Deus. De toda maneira tenta-nos mostrar uma vida sem Deus, uma felicidade sem sacrifícios, uma família sem valores, um total caos de alegria. Intentos, até então, e sempre, sem sucessos.

Parece ser óbvio que a felicidade depende de nós. Desde sempre somos livres. Nunca fomos tolhidos de nossa liberdade. E aqui está a beleza do Congresso, 400 homens por livre vontade decidiram experimentar a alegria verdadeira, fundar uma nova família, uma família edificada em Cristo. Tão triste seria ver a felicidade sem liberdade. E tão triste é, ver homens escravos do mundo, de seus trabalhos, de seus vícios, de suas vontades. O paradoxo aparente - vontade x liberdade - mostra-nos o quanto nós não entendemos a existência, o quanto precisamos evoluir para compreender a liberdade. Algo que parece simples, mas que ao pararmos um pouco, vermos a nossa vida e perguntarmos: Somos livres?

A resposta parece não ter necessidade de ser dita, de tão óbvia.

O que me marcou no Congresso foi quando Ricardo Alexandre, um dos pregadores do Evento, convidou todos os homens a aproximarem-se da Cruz, uma Grande Cruz, e pediu-nos para ajoelhar diante da Cruz, render a nossa vida diante daquele que se despojou da sua. E, numa moção incrível, fomos convidados todos, através da oração, a caminharmos atrás daquela Grande Cruz. Formamos, então, filas, um com a mão no ombro do outro, uma grande comunhão se formou atrás daquela cruz: Seguimos Jesus. Tornando a Cruz ao lugar inicial, rezemos uns pelos outros. Nossa mãe Maria, então, entrou naquele lugar. Tomou nos braços cada filho seu, fez homens chorarem, derramarem suas dores, suas perdas, seus sofrimentos e angústias: Curou-nos com Amor!
Conforme Maria abraçava cada um dos homens que ali estavam, em torno da Cruz, sentia-se a liberdade pairar sobre cada coração. Sabe aquela sensação de liberdade, ao entardecer da tarde, ao caminhar na beira da praia, sentindo a brisa suave, proporcionada pelo agitar das ondas, que continuamente se movem em nossa direção? Assim estavam cada homem, entregues aos braços suaves e agitados de Amor da Mãe. 


Cleiton Imamura, cdo

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Naquele que guarda a sua palavra, o amor de Deus é plenamente realizado (IJo 2, 5)




O apóstolo Tiago teve sua vida marcada pelo seguimento de Cristo. Jovem, ainda, tornou-se seguidor fiel do Mestre, presenciou os principais milagres do ministério de Jesus e guardou até a morte, no ano de 49, a palavra que lhe foi ensinada. Inspirado e fortalecido pelo Espírito Santo, em Pentecostes, junto com os outros apóstolos, passou a anunciar com vigor e ardor a palavra de Deus. Em sua carta chama-nos a ter uma fé ligada as obras, afirmando que uma fé sem obras é uma fé falsa.

A comunidade Divino Oleiro, por meio de seu carisma, é chamada a suprir lacunas na Igreja. Isso implica estar atento as mudanças de nosso tempo, a permanecer firme na fé e ardoroso no anúncio de Jesus, vivo e ressuscitado; a diariamente  pedir o Espírito Santo, para que não sejamos fragilizados em nossas atividades, pois quando cheios d’Ele nos tornamos mais fortes para Sua obra e menos infiéis a Sua palavra.

Amados vocacionados, que hoje, a exemplo do Apóstolo Tiago, vocês se alegrem em serem dignos de injúrias, por causa do nome de Jesus e, que, a cada dia, em suas atividades, faculdades, trabalhos, famílias e grupos de amigos, não cessem de ensinar e anunciar o Evangelho de Jesus Cristo. E que assim sejamos moldáveis nas Mãos de Deus e que não cansemos de pedir: Modelai-nos Senhor!

Por fim, sejamos fieis a vocação a qual somos chamados e permaneçamos firmes e inabaláveis na fé.

São Tiago, Rogai por nós!

Sangue de Jesus, Salvai-nos!


Cleiton Imamura, cdo

terça-feira, 24 de julho de 2012

Faze-nos ver novos prodígios (Mq 7,14)


Hoje queremos louvar a Deus por tudo o que tem concedido à nossa comunidade. Ele tem levantado pessoas abençoadas, geradas no Espírito de Deus, para nos acompanhar no seguimento e anúncio de Cristo Jesus, que em nossa comunidade é chamado de Divino Oleiro. Temos experimentado continuamente sua ação em nossas vidas: pessoas transformadas, famílias restauradas, vidas renovadas... O Espírito de Deus, que agiu em Maria, gerando Jesus, hoje age em nossas fraternidades, gerando vidas novas... Cheias do Espírito de Deus...

É próprio de nosso carisma pedir: Modelai-nos Senhor. Quando clamamos isso, abrimo-nos a ação de Deus, deixamos o Espírito de Deus fazer sua obra em nós, tornando-nos obras melhores, mais santas, mais dignas, mais de Deus e, sobretudo, Mais Felizes com Jesus.

A palavra de hoje para os nossos vocacionados é inspirada na passagem de Miquéias 7, 14, que pede ao Senhor: Faze-nos ver novos prodígios. Queremos unidos a vocês clamar isso em nossas vidas e em nossa Comunidade. Deus já nos mostrou muitos prodígios... Os percebemos deste a nossa fundação, quando, no coração de um jovem sacerdote, inspirou o Carisma Divino Oleiro... Hoje, em nossas diversas missões continuamos presenciando... No entanto, não deixemos de pedir, para que Novas Vidas sejam chamadas, que surjam novos profetas, sacerdotes, leigos ardentes de zelo pela palavra de Deus.

Venha você também experimentar ser uma obra Nova, disponível das mãos de Deus
Venha Proclamar: Modelai-me Senhor!

Sangue de Jesus, Salvai-nos!

Cleiton Imamura, cdo

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Não vos conformeis a este mundo

O DESAFIO DE VIVER A VOCAÇÃO CRISTÃ NO MUNDO DE HOJE


Vivemos num mundo onde os valores do poder, do ter e do prazer são objetos de adoração e de idolatria. A luta pelo poder torna as pessoas desumanas. As guerras, o ódio e as tensões ameaçam o mundo que já encontra-se dividido entre ricos e pobres e divida-se cada vez mais em bandos antagônicos e inimigos que lutam para aniquilar o adversário. A sexualidade tornou-se presa fácil e objeto de prazer despojando o ser humano de sua dignidade e intimidade. A vida em seu conjunto perde a dimensão fraternal e comunitária e torna-se uma guerra onde os homens se desumanizam as serviço de valores-objetos como o poder, o ter e o prazer.

A secularização se expande cada vez mais e vai tomando conta das pessoas. O ser humano vai perdendo o sentido profundo de sua vida, sua razão de ser no mundo e tornando-se escravo de si mesmo, das leis criadas por ele mesmo e da máquina que deveria estar ao seu serviço.

É dentro dessa realidade toda que nos encontramos como pessoas cristãs, chamadas a transformá-la, vivendo o compromisso que assumimos no Batismo.

Lembro-me que, em 1989, o Papa João Paulo II fazia um apelo aos jovens da época, muito válido aos jovens e a todos os cristãos de todos os tempos:

“… não tenhais medo de ser santos! Tende a coragem de buscar e encontrar a verdade, para além do relativismo e da indiferença daqueles que tendem a edificar o nosso mundo como se Deus não existisse. Jamais sereis desiludidos se conservardes como ponto de referência na vossa busca, Cristo, verdade do homem. A revelar o mistério do Pai e do seu Amor, Ele ‘manifesta perfeitamente o homem ao próprio homem e descobre-lhe a sublimidade de sua vocação’ (GS 22).

Tende a coragem da solidariedade, na Igreja e no mundo: convidai todos a serem, juntamente convosco, os artífices da ‘civilização do amor’, que o evangelho exige que edifiquemos, superando as divisões e os ódios que se escondem no coração humano, reconciliando os homens com as criaturas, os homens entre si e os homens com Deus. Eis aqui o enorme projeto que se vos apresenta. Compete-vos pô-lo em prática!

… Ide também vós, por todos os lugares, sempre conscientes do desejo de (Jesus) Cristo: ‘Vim lançar fogo sobre a terra; e que quero eu senão que ele se tenha ateado?’ (Lc 12,49). Fazei com que arda este fogo que Jesus trouxe, o fogop do Espírito Santo, que queima toda a miséria humana, todo o mesquinho egoísmo, todo o mau pensamento. Deixai este fogo que se propague em seu coração”. (L’Osservatore Romano, nº 39/09/1991).

Em março de 1991, por ocasião da Jornada Mundial da Juventude, entre outras, o Papa dirige estas palavras à juventude em cadeia de rádio: “É tarefa dos jovens lembrar à humanidade, por palavras e pelo testemunho, que Deus é Pai de todos. (…) Exorto-vos a colocarem Cristo no centro de vossas vidas e a darem testemunho de Cristo, para construírem um mundo mais justo e mais fraterno”.

O desafio está lançado, transformar este mundo que está se estruturando como se Deus não existisse, de tal forma que as pessoas estão caindo na solidão, no vazio: drogas, alcoolismo, depressão, prostituição, ganância, corrupção, abortos, violência ... e aumenta cada vez mais o numero dos suicídios. O homem vai se afastando cada vez mais de Deus e atraindo para si a morte, pois está esquecendo que Deus é o princípio, o fim e a presença da vida. Ele é a Vida.

O homem está esquecendo que é imagem e semelhança de Deus. Que Deus lhe preparou todo um universo, o ambiente da vida, e que é a presença de Deus, a união, a intimidade com Ele que mantém a vida.

Estamos esquecendo que Deus se fez um de nós, encarnou-se, veio recuperar, resgatar em nós esta imagem e semelhança sua maculada pelo pecado. Que Ele veio resgatar e nos mostrar pessoalmente a dignidade da vida.

Esta perda da consciência daquilo que somos é visível. Basta nos perguntar sobre a postura que temos diante da vida. Basta ver a realidade do matrimônio e da família como centro de formação da vida. Olhar para o número de abortos praticados a cada ano. E tantas outras realidades onde as cenas de morte parece ser normais nos dias de hoje.

A proposta de Jesus vem ao encontro de todas essas realidades como uma proposta de VIDA, proposta de amor.

Jesus Cristo nos revela que o Pai é AMOR, que ele quer a vida de seus filhos, pecadores, e não a morte. Já o Livro de Ezequiel nos aponta para esta vontade do senhor quando diz: “Certamente não tenho prazer na morte do ímpio; mas antes na sua conversão, em que ele se converta do seu caminho e viva. Convertei-vos, convertei-vos dos vossos maus caminhos. Por que haveis de morrer, ó casa de Israel” (Ez 33,11). Já Lucas nos apresenta as seguintes palavras de Jesus: “Os sãos não têm necessidade de médico e sim os doentes; não vim chamar os justos, mas sim os pecadores, ao arrependimento” (Lc 5,31).

Cristo tem uma proposta concreta, baseada no mandamento do amor. Esta proposta se concretiza em várias dimensões:

PERDÃO – Deus nos perdoa e vem fazer-se presente no meio de nós. Ele mostra que o perdão é essencial como caminho, como condição para voltar à verdadeira vida. Cristo é a união de Deus com os homens e disse: “Eu vim para que todos tenham vida” ( Jo 10,10).

ANÚNCIO DA BOA NOVA – Cristo ensina ao mundo qual é a Vontade de Deus, ou seja, o que é essencial para a vida do ser humano.

TESTEMUNHO – Cristo dá a sua vida pela nossa vida. Testemunha, vive tudo o que fala, e finalmente morre na cruz para nos reconciliar plenamente com Deus.

VIDA ETERNA – Ressurreição. Nos dá a razão, o sentido da fé. Garante-nos a eternidade.

Cristo mostra que todos são filhos de Deus e têm os mesmos direitos diante de Deus. Sua proposta é de fraternidade, de encontro e união entre todos. Para que isto aconteça, Ele propõe o AMOR: amor a tal ponto de amar os inimigos. Sua proposta é radical. Vai contra os valores individualistas do mundo.

A fim de que mude a situação de pecado é necessário que haja a conversão. A conversão é um “parto doído”, um sair das estruturas de pecado (do individualismo), para entrar numa nova estrutura: a comunidade do amor.

Nós já fomos perdoados por Cristo, através do seu mistério Pascal. Pelo Batismo assumimos o compromisso com Cristo: tornamo-nos cristãos. Somos herdeiros de Deus, elevados por Cristo à condição de filhos (cf. Gal 4, 1-7).

Ser cristão é reproduzir hoje a imagem de Cristo em nós. É perdoar a ponto de amar o inimigo. É anunciar ao mundo a Boa Nova que assumimos, testemunhando-a com a vida. Fazer do Evangelho, dos valores do reino a nossa conduta de vida. Viver o Evangelho no mundo de hoje como viveram as primeiras comunidades cristãs em seu tempo e em seu mundo (cf. At 2, 42 ss). Encontrar formas de mostrar ao mundo de hoje os valores nops quais nós acreditamos. Ter uma postura de vida coerente: traduzir a fé em gestos concretos, em atitude permanente. Tantas vezes temos medo de ser diferentes. Esquecemos que se é necessário conversão, temos que ser o testemunho vivo daquilo que diferencia a situação.

Ser cristão hoje, necessita “nadar contra a correnteza” que o mundo apresenta. E o próprio cristo nos alerta que o mundo nos odiará. Por isso Ele pede para vigiarmos sem cessar.

Portanto, é necessário perseverar na luta. E todos sabemos como isso é difícil. Mas o próprio Cristo nos mostra que o reino de Deus é conquistado com esta força: a força da nossa vontade, consoante com a vontade e a graça de Deus que se faz presente.

Para isso, necessitamos da oração, da leitura e reflexão da Palavra de Deus, do silêncio e da escuta, a fim de descobrirmos a Vontade de Deus que nos levará à caridade, à vivência desta proposta.

Tudo isto começa pela fé em Jesus Cristo. Como poderemos manifestar o nosso testemunho ao mundo se não estivermos convictos de que aquilo no que e em Quem acreditamos é a Verdade?

Nós afirmamos que Deus é Amor, é Vida, é Pai. Não estamos satisfeitos com a situação do mundo hodierno. Dizemos que o Evangelho é Verdade... Mas, nos perguntemos agora: quanto tempo por dia dedicamos à leitura e à meditação da Verdade – da Palavra de Deus? Como está a nossa freqüência à Eucaristia? Como tornamos presente, no cotidiano da vida, o Cristo que recebemos na Palavra e na eucaristia? Façamos um exame de consciência.

Nós, cristãos, temos as três grande virtudes: Fé, Esperança e Caridade. Estas virtudes nos identificam como cristãos. Mas, se não as vivermos, que esperança, que sinal seremos para o mundo? Não seremos sal e luz para o mundo. Como é triste um cristão sem esperanças!

Se a nossa vida no dia-a-dia, o nosso modo de ser e de viver, a partirem das menores coisas e momentos que sejam, a nossa honestidade, coerência, caridade, fidelidade, não esquentarem o coração das pessoas, não as atraírem para Deus, estamos sendo falsos cristãos, nossa vida não está sendo de acordo com a nossa fé.

Nosso momento é agora. Não importa os passos dados, mas os que estamos e estaremos dando a partir de agora.

Que São Paulo, o perseguidor que converteu-se no maior missionário e testemunho de Cristo de todos os tempos, nos sirva de modelo e inspiração em nossa vivência cristã do dia-a-dia.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

O chamado do Profeta Jeremias...

A nossa espiritualidade é firmada na Carta do profeta Jeremias, 18, 6- " Em Tuas mãos Senhor como barro nas mãos do Oleiro". Vejamos então como Deus usou este grande profeta para a Sua missão.



O Chamado de Jeremias



A profecia de Jeremias tem algumas peculiaridades. É, por exemplo, o maior dos livros proféticos (Isaías tem mais capítulos, mas ainda assim é menor do que Jeremias). Nas Escrituras dos judeus, ocupava o primeiro lugar dos profetas. É talvez o mais pessoal dos livros proféticos, apresentando muitos dos sentimentos de Jeremias. Suas lágrimas e seus sofrimentos são vistos em diversas partes do livro.
O ministério de Jeremias foi difícil. Ele apareceu num momento difícil na história de Israel, avisando (em vão) do cativeiro que se aproximava. Ele foi perseguido, preso, e suas palavras ignoradas. Mas a história mostra que Jeremias, praticamente sozinho contra toda a nação de Israel, é quem estava certo. A sua fidelidade a Deus, mesmo no meio de tanta perseguição, e mesmo ficando desamparado, é um exemplo para nós hoje.
Os versículos que formam a base deste estudo falam do chamado de Jeremias. Examinando-os, veremos como Deus agiu em relação ao Seu servo, e poderemos aprender como nós, hoje, podemos ser chamados por Deus.
Por “chamados”, aqui, entenda-se algo que é verdade de todo cristão. Assim como chamou Jeremias, Deus chama cada um dos Seus filhos para servi-Lo em diferentes áreas.
Como Ele fará isto? Vamos ao texto:
Esperando — A escolha soberana de Deus (v. 5)
Jeremias foi um profeta de Deus. Este versículo mostra, porém, que foi Deus quem o escolheu e enviou. É impressionante ver como o Senhor destaca que Jeremias foi separado para o Senhor antes que ele fosse formado, e antes do seu nascimento. Este não é um caso isolado nas Escrituras. Lemos o mesmo em relação a Sansão (Jz 13:5), João Batista (Lc 1:15) e Paulo (Gl 1:15), além de várias referências em Isaías (aqui, porém, referindo-se à nação de Israel, não a um indivíduo). Comparando estes quatro homens, vemos várias coisas em comum:
·         Todos surgiram em tempos especiais na história de Israel. Sansão veio no finalzinho de um período negro para Israel, o período dos juízes. Jeremias veio logo antes do Cativeiro (ele ainda estava vivo quando Israel foi levado cativo). João Batista veio logo antes do Messias. Paulo veio no início da época da Igreja;
·         Todos tiveram, de uma forma ou de outra, um ministério especial. Sansão foi dotado de uma força sobre-humana e, mesmo morrendo sem livrar Israel, obteve vitórias importantes sobre os filisteus. Jeremias foi a última chance que Deus deu a Israel antes do Cativeiro (uma chance que Israel desperdiçou). João Batista teve o privilégio de “preparar o caminho do Senhor”, e o Senhor Jesus mesmo reconheceu a importância do seu ministério. E Paulo foi o apóstolo dos gentios, aquele que Deus usou para levar o Evangelho muito além das fronteiras de Israel, e que escreveu grande parte do NT;
·         Todos eles foram perseguidos e presos pela sua devoção a Deus [veja Nota 1], culminando com a sua morte. [veja Nota 2]
Diante destes fatos poderíamos supor que somente servos especiais, separados para um serviço especial, seriam chamados por Deus desde o ventre de suas mães. Isto é, se não fosse pela inclusão de Sansão nesta lista. Não há dúvida que Sansão desempenhou um ministério útil e especial; também não podemos negar, porém, que ele destacou-se pelos seus erros mais do que por suas vitórias. Sua grande força está em absoluto contraste com sua grande fraqueza moral. Deus diz que “foram mais os mortos que matou na sua morte do que os que matara na sua vida” (Jz 16:30). Se Deus escolheu não revelar muitas das fraquezas de Jeremias, João Batista e Paulo, o inverso aconteceu em relação a Sansão. O mais bem preparado de todos os juízes, o único juiz dotado de força sobre-humana, o único juiz separado desde o ventre, o único juiz nazireu — e o único juiz que falhou na sua missão.
Lembrando de Sansão, então, concluímos que não é correto dizer que apenas servos especiais são chamados desde o ventre. Olhando para o NT, vemos a confirmação disto, pois ali aprendemos que todo cristão foi eleito não apenas antes de nascer, mas antes da fundação do mundo (Ef 1:4, etc.). Admitindo isto, porém, é necessário destacar o outro lado da moeda: a Bíblia é clara em afirmar que Deus deseja que todos sejam salvos (I Tm 2:4), e que todo aquele que nEle crer será salvo (Jo 3:16, etc.). A Bíblia ensina que cada ser humano é responsável diante de Deus pelas decisões que toma, mas também afirma que Deus tem um plano para cada um dos Seus filhos. E este plano foi elaborado antes mesmo de você nascer; antes até de Deus lhe formar no ventre de sua mãe!
Estes quatro servos, com suas semelhanças e diferenças, lembram-nos que nossa vida não consiste em seguir nossos ideais, mas em seguir o plano que Deus já traçou para nossa vida. Pense nisso: estou seguindo o plano de Deus? Ou sigo apenas os meus sonhos e ideais? Quem é o soberano das nossas vidas, na prática?
Quanto a Jeremias, repare que Deus descreve as ações da Sua soberania sob três aspectos:
a. Conhecido
Primeiro, diz o Senhor a Jeremias, “Eu te conheci”. Estas palavras nos apresentam a primeira exigência do servo de Deus, tão óbvia que podemos negligenciá-la: só pode servir a Deus quem é filho dEle, quem já nasceu de novo, quem Ele conhece. A oração de Davi (“livra-me … das mãos dos filhos estranhos”, Sl 144:7) deve ser a oração de cada igreja local. Os presbíteros de uma igreja local podem ser enganados (são, afinal, apenas homens), mas devem sempre ter o cuidado de receber apenas aqueles que demonstram ser filhos de Deus, orando para que Ele os livre de serem enganados. Pois um “filho estranho” dentro de uma igreja local pode fazer muito, muito estrago. Deus só quer como Seus servos aqueles que Ele conhece.
O verbo usado aqui no hebraico é usado de Deus conhecendo um indivíduo apenas mais duas vezes no VT. Quando Israel pecou diante do bezerro de ouro, Moisés intercedeu perante Deus pelo povo, demonstrando sua preocupação sincera com eles. E “então disse o Senhor a Moisés: … achaste graça aos Meus olhos, e te conheço por nome” (Êx 33:17). Alguns séculos mais tarde, quando Davi quis edificar um Templo ao Senhor e o Senhor não o permitiu, Davi entrou na presença de Deus e agradeceu pelas muitas bênçãos já recebidas. E Davi disse: “Tu conheces bem a Teu servo, ó Senhor Deus” (II Sm 7:20). E agora, pela terceira vez, lemos de Jeremias, um servo que foi conhecido por Deus.
“Eu te conheci”! Esta expressão fala de intimidade, de cuidado e zelo amorosos. Este não é, porém, um privilégio restrito a Moisés, Davi e Jeremias; mas algo no qual todo cristão, por mais humilde e desconhecido que seja, pode descansar. Paulo escreveu: “Todavia o fundamento de Deus fica firme, tendo este selo: O Senhor conhece os que são Seus” (II Tm 2:19). Em contraste com isto, as palavras do Senhor aos incrédulos (mesmo religiosos) são: “Nunca vos conheci!” (Mt 7:23).
Nenhuma religião inventada pelos homens apresenta um Deus tão poderoso como o Deus da Bíblia, Criador e Sustentador do Universo inteiro. Ao mesmo tempo, nenhuma das religiões humanas imaginou um Deus tão próximo dos Seus. Ele não Se apresenta como a divindade distante que todos temem, mas o Pai que conhece, por nome, cada um dos Seus filhos. Não uma divindade que suporta, de má vontade, seus adoradores, mas um Deus que, como diz o próprio Jeremias, nos amou com amor eterno e nos atraiu com benignidade. Como é sublime pensar que um Deus tão glorioso me conhece a mim!
Prezado leitor, você conhece este Deus? Ele te conhece? Todo aquele que já creu em Cristo como único Salvador pode dizer: “Sim! O Senhor conhece os que são Seus”. E ser conhecido por Ele é o primeiro passo para ser chamado por Ele.
b. Santificado
Em segundo lugar, o Senhor diz ao Seu servo: “Eu te santifiquei”. O servo que Deus usa é, primeiro, conhecido por Deus; mas é também santificado. Apesar de toda a conotação religiosa que esta palavra carrega, ela quer dizer, simplesmente, “separado”. Deus está dizendo a Jeremias: “Eu te conheci, e Eu te separei para ser Meu”.
Nunca é demais repetir que separação, no sentido bíblico, tem dois aspectos: o negativo e o positivo. Como cristãos devemos estar separados de tudo aquilo que desagrada a Deus (o mundo, o pecado, etc.), e separados também para o Senhor. Não é só deixar o pecado; é nos apegarmos a Ele. Ser santo não é viver num mosteiro, ou trancado dentro de casa; ser santo é viver no mundo sem ser atraído pelo mundo, usufruir de bens materiais sem ser materialista, viver aqui lembrando que nossa pátria está nos céus.
O que é apresentado aqui, porém, não é o que Jeremias fez, mas o que Deus fez na vida dele. Deus o conheceu (isto lembraria Jeremias de que Deus se importava com ele) e Deus o santificou (isto lhe lembraria que Deus tem autoridade sobre ele). Eis mais uma palavra de ânimo e consolo. Nosso Deus não diz apenas: “Eu conheço você; sei das suas limitações, das suas boas intenções, do seu amor, da sua fraqueza”. Mais do que isto, Deus diz: “Você é Meu!” Aquele trecho tão lindo de Malaquias 3:16-18 fala disto. No v. 16 lemos que o Senhor atenta à voz do Seu povo e a ouve; Ele nos conhece. No v. 17 Ele diz: “E eles serão Meus, diz o Senhor dos Exércitos; naquele dia serão para Mim jóias; poupá-los-ei, como um homem poupa a seu filho, que o serve”. Nós não pertencemos mais a nós mesmos; fomos comprados por bom preço (I Co 6:19-20).
Que privilégio! Que responsabilidade!
c. Enviado
Finalmente, diz o Senhor, “às nações te dei por profeta”. Primeiro o Senhor salva; depois Ele separa; depois Ele envia. Isto é, só será um servo útil ao Senhor quem primeiro já foi salvo e santificado. Mas repare também a seqüência natural: se Deus já lhe salvou, pode ter certeza que você também foi separado por Ele e para Ele (pode haver falhas na prática, mas a posição de santo já é sua). E se você já foi salvo e separado, saiba que o Senhor também lhe envia para servi-Lo. Fomos salvos “para as boas obras”, diz Ef 2:10. Temos a responsabilidade de servi-Lo — mas onde Ele mandar!
Você sabe o que o Senhor quer de você hoje? Talvez amanhã o serviço seja outro; mas hoje, nas circunstâncias atuais, no meio da igreja com a qual você se reúne, no emprego que você têm, na sua família, na escola: você entende a necessidade de ser enviado por Deus, e de servi-Lo sempre? A noção romântica que temos de “chamamento” e “envio para um campo missionário” é muito distante da realidade. Deus chama cada um dos Seus servos. Alguns pare servi-Lo nos confins da Terra, outros (como o gadareno) para servi-Lo entre os seus vizinhos mesmo. E só nos sentiremos realizados enquanto estivermos entendendo (e seguindo!) o plano que Ele tem para nós desde antes da fundação do mundo.
Confessando — As limitações do profeta (v. 6)
Assim como muito outros (Moisés, por exemplo), a primeira reação de Jeremias é recusar. Não por falta de vontade, mas por sentir-se incapaz e fraco diante da grandeza da obra. Ele menciona sua falta de capacidade (“Eis que não sei falar”) e sua falta de força (“porque ainda sou um menino”).
É saudável a atitude de Jeremias. Lembre de Gideão (“…a minha família é a mais pobre em Manassés, e eu o menor na casa de meu pai”, Jz 6:15), de Paulo (“eu sou o menor dos apóstolos, que não sou digno de ser chamado apóstolo”, I Co 15:9), e tantos outros. O caminho certo para o fracasso espiritual é confiar em si mesmo; o caminho certo para o sucesso espiritual é desconfiar de si, e confiar em Deus.
É necessário enfatizar isto, pois contradiz a teoria predominante no mundo hoje. Os livros de auto-ajuda, que se proliferam, ensinam qualquer pessoa a ter orgulho de si mesmo, confiando no seu potencial. A Bíblia, pelo contrário, nos exorta a humilharmo-nos perante Deus, crendo que é só através dEle que a obra será feita.
É claro que há o outro extremo, como vemos no caso de Moisés (Êx 3 e 4), que relutou tanto em aceitar o chamado de Deus a ponto do Senhor irar-Se com Seu servo. Quando Deus nos manda fazer algo, devemos fazê-lo prontamente, mesmo sentindo as nossas limitações. Mas tudo aquilo que fazemos, devemos fazer confiando nEle, sabendo que qualquer resultado será fruto da graça dEle nas nossas vidas.
Como encaramos nossas limitações? Que não sejamos tolos a ponto de ignorá-las, achando que temos, em nós mesmos, a capacidade e a força para servir ao Senhor. Por outro lado, que não sejamos temerosos a ponto de esquecer que nossas limitações não podem impedir o Senhor de nos usar, sendo esta a vontade dEle.
Ou seja: minhas limitações são tantas que, sozinho, eu não posso fazer nada (literalmente nada) para agradar a Deus. Por outro lado, meu Deus é tão poderoso que pode fazer qualquer coisa por meu intermédio, apesar das minhas limitações.
Confiando — As respostas do Senhor (v. 7-10)
Na Sua resposta, o Senhor mostra a Jeremias que as limitações dele não seriam um empecilho, pois o Senhor estaria com o Seu servo.
Fortalecendo (v. 7-8)
Primeiro o Senhor trata do problema da força. Jeremias considera-se um menino, pequeno e fraco diante do inimigo. O Senhor, porém, diz: “Não digas: Eu sou um menino”. E por que não? Por duas razões:
·         Porque o Senhor o enviou (v. 7). “Porque a todos a quem Eu te enviar, irás; e tudo quanto [Eu] te mandar, falarás”. Jeremias poderia temer enquanto pensasse que partia na sua própria iniciativa, mas o Senhor o lembra que ele é apenas um enviado do Senhor. Jeremias só iria falar a quem o Senhor o enviasse, e só iria transmitir o que Deus lhe dissesse. Não era dele a responsabilidade pelo conteúdo da sua mensagem. Que peso isto deve ter tirado das costas de Jeremias; a função de planejar e decidir era de Deus — ele apenas obedeceria ordens. É bom nós também lembrarmos que não somos os responsáveis pelas verdades que cremos e que pregamos, ou por onde e quando serão transmitidas. O Senhor quer decidir tudo, e quer que nós estejamos prontos a obedecê-Lo. A mensagem transmitida não originou-se conosco, e não precisamos tentar justificá-la ou desculpar-nos — devemos simplesmente transmiti-la, com fidelidade e com muito amor e humildade. A atitude dos homens diante desta palavra diz respeito a Deus, não a nós mesmos. Quando rejeitam a mensagem que anunciamos rejeitam ao Senhor, não a nós. Quando rejeitam a autoridade estabelecida por Deus, rejeitam ao Senhor, não a nós (veja I Sm 8:7). Nosso serviço será muito menos pesado se entendermos que nossa responsabilidade é simplesmente transmitir aquilo que vem de Deus. Não precisamos (não podemos!) inventar algo para contar, e não precisamos convencer os homens daquilo que falamos. Somos apenas porta-vozes.
·         Porque o Senhor estava com Ele (v. 8). “Porque Eu estou contigo para te livrar”. Que consolo para Jeremias. Ele foi duramente perseguido durante seu ministério, mas o Senhor esteve sempre com Ele. Nem sempre o Senhor o livrou de sofrimentos físicos, mas o Senhor o manteve fiel e o tornou vitorioso. Nós temos a mesma promessa, dada pelo Senhor a nós, Seus discípulos: “Eis que estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos” (Mt 28:20).
A fraqueza e o temor que Jeremias estava sentindo foram dissipados com estas palavras do Senhor. Jeremias era novo, inexperiente e fraco, sim. Mas era o Senhor quem o enviara (ele tinha apenas de transmitir as palavras do Senhor), e este mesmo Senhor o acompanharia durante todo seu ministério. Que sejam estas palavras um consolo também para nós.
Capacitando (v. 9-10)
Além de fortalecer o Seu servo, o Senhor também lhe deu uma capacidade especial para aquele serviço. O Senhor tocou-lhe nos lábios, e disse: “Eis que ponho as minhas palavras na tua boca”. Todas as limitações de Jeremias desapareceram neste instante. Ele não sabia falar, mas o Senhor falaria por ele.
Três vezes lemos de Deus tocando os lábios de um servo Seu:
·         Quando Isaías sentiu-se indigno de servir ao Senhor por causa da sua impureza (“…sou um homem de lábios impuros, e habito no meio de um povo de impuros lábios”), o Senhor enviou um dos serafins que tocou os lábios de Isaías e disse: “a tua iniqüidade foi tirada, e expiado o teu pecado” (Is 6:5-8);
·         Quando Jeremias sentiu-se incapaz de servir ao Senhor por causa das suas limitações, o Senhor tocou-lhe nos lábios e o capacitou;
·         Quando Daniel sentiu-se impossibilitado de servir ao Senhor por causa da fraqueza física (“sobrevieram-me dores, e não me ficou força alguma”), um anjo tocou-lhe os lábios, e Daniel recuperou sua força (Dn 10:15-21).
Estes três casos se aplicam a nós. Somos indignos, somos incapazes, muitas vezes somos impossibilitados pelas circunstâncias. E o que fazer? Lamentar, desesperar, desanimar? Não. Como Isaías, Jeremias e Daniel, mencione o problema ao Senhor. Confesse seu pecado, reconheça suas limitações, diga ao Senhor: “Não resta força em mim”. E o Deus de Isaías, Jeremias e Daniel, o seu Deus, purificará o seu pecado, dará a você a capacidade que você não tem, e restabelecerá as suas forças.
Conclusão
Jeremias foi grandemente usado por Deus numa hora crucial da história de Israel. Deus ainda hoje quer usar a mim e a você. Lembremos dos três passos vistos em Jeremias:
·         Esperemos em Deus, pois tudo começa com Ele. Só será útil a Ele quem Ele, na Sua soberania, já salvou, santificou e enviou.
·         Confessemos as nossas limitações. Não sabemos servi-Lo; não temos força para servi-Lo.
·         Confiemos nas provisões dEle. Somos apenas porta-vozes; temos a presença dEle conosco sempre; e recebemos dEle a capacidade especial que precisamos para cumprir a Sua vontade.
Jeremias ouviu, creu e foi. Imitemos seu exemplo!


Discernindo a vocação - Pe. Fabio de Mello

http://www.youtube.com/watch?v=J8wQKLHdNxY&feature=related

A verdadeira vocação do homem é ser feliz, onde Deus nos quer. Mas para isso, Deus se manifesta através da nossa história, dos sinais dos tempos, dos nossos anseios mais profundos, que não são frutos de más escolhas realizadas anteriormente.
Deus nos quer feliz e por isso nos faz verdadeiramente livres.

Vocação do Papa Bento XVI

http://www.youtube.com/watch?v=dYw5SoKNxrI&feature=related


Assista a esse vídeo, e perceba o quanto Deus nos escolhe tão frágeis para a Sua messe.